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Prêmio para estudo desenvolvido no IRD relacionado ao tratamento de câncer de mama

Uma dissertação de mestrado desenvolvida no Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) pela aluna Laís Nascimento Alves foi premiada durante o V Seminário Anual Científico e Tecnológico de Bio-Manguinhos. “Viabilidade do uso de 1,10 fenantrolina e aptâmeros anti-MUC1 como radiossensibilizadores em células de câncer de mama” recebeu o prêmio Jovem Talento – Sergio Arouca, no último dia 3 de maio. Entre os critérios da premiação está a importância do trabalho para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a saúde pública brasileira, incentivando os jovens pesquisadores, de até 26 anos, nessa categoria.

Laís Nascimento Alves, premiada durante o V Seminário Anual Científico e Tecnológico de Bio-Manguinhos

A pesquisa premiada se mostra promissora em uma nova área da medicina que tem recebido muita atenção da comunidade científica: a medicina personalizada, para a prevenção e o tratamento de doenças. A proposta do estudo foi avaliar a viabilidade de uma molécula, um aptâmero de DNA, para a entrega de compostos tóxicos nas células de câncer de mama. Essa nova classe de moléculas encontra-se em fase inicial de testes clínicos. A novidade está em utilizar o composto para atacar especificamente células desse tipo de câncer, mantendo mais protegidas as células sadias.

Em relação aos anticorpos monoclonais, os aptâmeros apresentam muitas vantagens. As moléculas são desenvolvidas quimicamente, além de serem flexíveis, estáveis e de baixo peso molecular e não dependerem de animais para serem produzidas. O estudo de aptâmeros faz parte de um projeto de pós-doutoramento na Inglaterra do pesquisador do IRD Carlos Bonacossa, orientador de Laís no mestrado em Radioproteção e Dosimetria.

O segredo está na ligação do aptâmero a uma molécula tóxica para o tumor, formando um complexo terapêutico capaz de atacar as células doentes. A célula afetada pelo câncer de mama tem a proteína de membrana MUC1 em quantidade mais elevada. O aptâmero é específico para MUC1. Esse complexo terapêutico se liga à proteína e entra na célula carregando a molécula tóxica intercalada.

Como trabalho futuro, a mestranda quer tratar as células utilizando radiação ionizante, pois isso pode permitir maior dano biológico no tecido tumoral com alta especificidade. Esse tratamento poderia ser associado à quimioterapia, ou talvez até substituí-la, em um futuro não muito distante. Os agentes quimioterápicos atualmente utilizados apresentam alta toxicidade para todo o organismo e não poupam células saudáveis. Isso explica efeitos colaterais como queda de cabelo, diminuição da imunidade, entre outros.
O estudo tem colaboração do Laboratório de Anticorpos Monoclonais da Bio-Manguinhos/ Fiocruz e do Laboratório de Ciências Radiológicas da UERJ e parceria com os pesquisadores Sotiris Missailidis, da Biomanguinhos, e Claudia Lage, da Biofísica da UFRJ. Durante seu mestrado no IRD a aluna contou com bolsa da Capes. Alguns resultados obtidos foram publicados em artigo no International Journal of Pharmaceutics.
O prêmio, segundo a estudante, ajuda a estimular sua carreira, pelos conhecimentos adquiridos e pelo reconhecimento da qualidade da pesquisa e relevância para o IRD/CNEN.
“É mais um exemplo da qualidade das pesquisas em radioproteção e dosimetria, bem como do desempenho de excelência de nossos professores, pesquisadores e alunos”, afirma o diretor do IRD José Ubiratan Delgado.

 

 

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