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Detector de radiação acoplado a drone é utilizado durante exercício de central nuclear

O Brasil conseguiu resultados expressivos relacionados à sua capacidade de monitoramento e resposta a um acidente radiológico ou nuclear, no último dia 18 de outubro, durante o Exercício Parcial do Plano de Emergência Externo do Governo do Estado do Rio de Janeiro para a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). Pesquisadores demonstraram pela primeira vez no país, em Praia Brava, Angra dos Reis, o funcionamento de um sistema de detecção de radiação conectado a um drone, que transmite em tempo real a taxa de dose gama medida no meio ambiente. Com isso, é possível realizar uma varredura aérea diferente da que já se faz utilizando veículos aéreos tripulados.
Foto: Divulgação IRD

O drone leva acoplado um detector de radiação, que mede a taxa de dose local

O projeto tem apoio da Agência Internacional de Energia Atômica, que possibilitou a vinda ao país o cientista Roger Luff, do instituto alemão BfS (Bundesamt für Strahlenschultz), em uma missão de transferência de tecnologia, que tem como coordenador do grupo de trabalho brasileiro o engenheiro Marcos César Moreira, do Serviço de Tecnologia da Informação do IRD. Luff é líder na Alemanha de um projeto de monitoração em tempo real e de outro para o desenvolvimento de detectores ultra-portáteis de radiação.
Foto: Luis Antônio Machado/ COCOM

Da direita para a esquerda, Marcos Moreira, Vítor Frazão, do IRD, o cientista Roger Luff,
do BfS, e o piloto que operou o voo do drone

O trabalho brasileiro já está em sua segunda fase, voltada ao aprimoramento da capacidade de resposta usando detectores de radiação móvel conectados a microcomputadores, dispositivos GPS e telefones celulares para adquirir informações de taxa de dose gama em movimento e transmiti-lo, também em tempo real, para o centro de controle de emergência. Moreira acrescenta que sempre a intenção final é fortalecer as diversas ações de proteção ao público. “Nessa parceria que temos entre o instituto e o BfS, pretendemos adquirir tecnologia, toda a parte de software e hardware também com sistemas móveis”, explica.  O drone acoplado a um sistema de detecção de radiação foi utilizado pelo cientista alemão em monitoração da área afetada pelo acidente nuclear de Chernobyl.

Na primeira etapa do projeto, o IRD montou uma rede de taxa de dose gama em torno das usinas nucleares brasileiras que transmite em tempo real esses dados medidos no entorno da central nuclear. A rede é capaz de identificar os elementos radioativos que poderiam eventualmente ser lançados no ambiente e todos os dados obtidos podem ser utilizados durante o processo de resposta a uma emergência. Os dados são acessíveis ao próprio instituto e à Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear (DRS) da Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão regulador brasileiro para a área nuclear.

Sobre o projeto, o Diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN Alexandre Gromann é enfático ao afirmar que a rede, dentro de padrões avançados adotados por países desenvolvidos, é importante em vários aspectos. “Significa economia de recursos, qualidade e fortalecimento da capacidade de resposta”, destaca. Sobre os detectores móveis de radiação, o gestor apoia de forma intensa esse aprimoramento do sistema que contará também com a utilização de drones. "Para além de segurança e confiabilidade, a tecnologia permite o fornecimento de dados em tempo real, inclusive reforçando os princípios de transparência e agilidade”. 

Os dados enviados aos computadores no IRD são todos armazenados, permitindo também um registro ao longo do tempo de operação da instalação. As informações em um futuro breve podem ser trabalhadas para refletir não apenas dados técnicos, "mas dados acessíveis ao público em geral, o que permite cumprir a missão de prestar contas à sociedade", conclui Gromann.

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