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IRD participa de exercício de resposta à emergência em central nuclear de Angra dos Reis

  • Publicado: Terça, 05 de Novembro de 2019, 14h42
  • Última atualização em Quarta, 06 de Novembro de 2019, 00h16

 
Mapeamento radiométrico da região do entorno da central nuclear e  a sede do Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN). Fotos: Heloisa Barra/ Ascom IRD

Nos dias 30 e 31 de outubro, foi realizado o Exercício Geral de Resposta à Emergência Nuclear na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), que reúne as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, operadas pela estatal Eletronuclear. O IRD, como instituto de pesquisas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), participou da atividade, que envolveu entidades civis e militares e parte da população da região de Angra dos Reis. O objetivo da megaoperação foi avaliar o Plano de Emergência, identificar pontos de atenção e aperfeiçoar continuamente o atendimento a situações de emergência. Os Exercícios de Resposta a Emergência Nuclear na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) são realizados desde 1996, contemplando em anos ímpares exercícios gerais, que treinam a estrutura de forma completa, e em anos pares, exercícios parciais.

As situações apresentadas durante o desenvolvimento da emergência simularam incidentes na usina e cenários criados especialmente para o exercício, que exigiram pronta resposta, como queda de barreira na rodovia BR-101, divulgação de notícias falsas, interrupção do fornecimento de energia elétrica na área externa das usinas, evacuação de moradores, utilização do sistema de alerta por sirenes, entre outras. O sistema testou a capacidade de manter todas as equipes em prontidão e respondendo à simulação de emergência durante 30 horas seguidas.

Toda a situação foi iniciada com um desarme da turbina de vapor conectada ao gerador elétrico, seguida de falha do desarme automático do reator. No cenário hipotético, o evento modificou-se de um cenário de alerta para emergência de área. Foram incluídos outros elementos, como um funcionário da usina que, na simulação, teria se machucado em um acidente de trabalho e se contaminado.  Na situação criada, houve falha de combustível no reator de Angra 2. Os residentes deveriam acompanhar as informações por TV e rádio. Ao término do simulado, ocorre uma reunião geral de avaliação do exercício

Com esses diversos elementos, técnicos da Defesa Civil, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, da Polícia Rodoviária Federal, das Forças Armadas, profissionais no centro de informações e todas as instituições envolvidas puderam responder ao exercício de forma coordenada. Embora no Brasil não haja registro de acidentes considerados relevantes em usinas nucleares, o simulado é uma evidência do cuidado extremo da área nuclear em todas as ações, de acordo com a CNEN.

A diretora do IRD destaca que merece registro o fato de que todas as instituições envolvidas no exercício com papel na proteção da população, como  Defesa Civil, Marinha e Exército, reconheceram, por parte das suas lideranças de campo, a importância do instituto tanto na formação e capacitação desse pessoal como no trabalho conjunto em campo. 


Durante o exercício simulado, equipe de campo de coleta de amostras ambientais

Atuação IRD

O instituto deslocou para Angra dos Reis sua coordenação de campo, com quatro equipes, sendo duas delas de suporte de proteção radiológica, prestando assessoria técnica aos Hospitais de Campanha instalados e à descontaminação simulada, montados nas regiões leste e oeste, com estruturas do Exército e Marinha, respectivamente.

Outra equipe de rastreamento terrestre e drone realizou levantamento radiométrico local. A quarta equipe foi a de coleta de amostras ambientais, de água, ar, solo e vegetação. Essas amostras viriam em uma situação real para análises nos laboratórios da Divisão de Radioproteção do IRD. O instituto conta com uma configuração que permite que todos os departamentos atuem de forma integrada em resposta a eventual emergência de origem radiológica ou nuclear.

No Rio de Janeiro profissionais do IRD que integram a equipe de avaliação radiológica permaneceram em regime de prontidão na sala de operações da Divisão de Atendimento a Emergências Radiológicas durante as 30 horas de realização do exercício. No Hospital Naval Marcílio Dias, a equipe de proteção radiológica ficou de prontidão para suporte ao atendimento médico a radioacidentados. Todas essas equipes emitem relatórios, que serão consolidados pela coordenação operacional do IRD e, em seguida,  o documento final será remetido para a sede da CNEN, integrando o relatório geral da instituição.

 

Estrutura

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, órgão central do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), é o responsável pela supervisão do Exercício de Emergência Nuclear em Angra dos Reis. O planejamento das ações foi realizado pelo Comitê de Planejamento de Resposta a Situações de Emergência Nuclear no Município de Angra dos Reis (Copren/AR), órgão colegiado que planeja ações de resposta a situações de emergência nuclear na central nuclear. O comitê reúne representantes do GSI, Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Eletronuclear, CNEN, Defesa Civil (nacional, estadual e municipais de Angra dos Reis e Paraty), Corpo de Bombeiros e Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Rio de Janeiro. A coordenação da atividade cabe ao Governo do Estado do Rio de Janeiro.

O IRD trabalha com educação profissional continuada na área de ações de resposta a emergência, tendo treinado mais de 8 mil profissionais desde 1996.  Um especialista do instituto atua como representante da CNEN no Centro Estadual para Gerenciamento de Emergência Nuclear (Cestgen), um dos centros de decisão para caso de acidente nuclear, juntamente com o Centro Nacional para Gerenciamento de Emergência Nuclear (Cenagen) e o Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN).

Na sede da CNEN, está situada a Coordenação de Resposta a Emergência (Core), composta por representantes das três diretorias da autarquia (pesquisa e desenvolvimento; radioproteção e segurança nuclear e gestão institucional) e está apta a avaliar o cenário do acidente e tomar decisões relacionadas à radioproteção, segurança nuclear, entre outros aspectos ligados aos desdobramentos de uma emergência na área nuclear.

 

Lilian Bueno/ Ascom IRD

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